Jóhann Jóhannsson: a trilha sonora a partir de camadas de comunicação

Conheci Jóhann Jóhannsson em 2013, a partir da sua trilha musical para o aclamado "Os Suspeitos". Me lembro de ter ficado encantado com o poder de imersão da música do filme que, ao mesmo tempo que narra uma história dramática, e triste, consegue trazer um ar de calma sem igual. Este encanto foi o suficiente para eu querer mergulhar mais na música de Jóhannsson e conhecendo os seus trabalhos anteriores pra mim ficou claro que a força da trilha de "Os Suspeitos" tinha sido fruto de muita experimentação e dedicação.

Passei a acompanhar os seus trabalhos mais de perto e foi muito triste vê-lo partir em 2018, com uma carreira no auge. E numa tentativa de honrar sua trajetória e o seu legado, inicio hoje o compartilhamento de alguns textos que permeiam sobre suas sobre suas obras.

Jóhann Jóhannsson foi um compositor islandês que escreveu trabalhos para o teatro, dança, televisão e cinema, além de manter um trabalho solo (ao vivo e em estúdio) consistente, acumulando 9 álbuns solo na carreira. Seu trabalho é marcado pela mescla de sons tradicionais de orquestra (principalmente as cordas) com elementos eletrônicos contemporâneos, buscando juntar tudo numa mesma massa sonora. Sua música tem características de música ambiente e sua carreira como compositor para cinema, apesar de curta, foi bastante elogiada pela crítica e pelo público ganhando indicações ao Oscar e vencendo um Globo de Ouro por sua trilha em ‘A Teoria de Tudo’.

No cinema, uma das mais consistente parcerias estabelecidas por Jóhann Jóhannsson foi com diretor canadense Denis Villeneuve com quem colaborou em três filmes: “Os Suspeitos” (2013), “Sicário: Terra de Ninguém” (2015) e “A Chegada” (2016). O ritmo lento e os cortes longos e contemplativos, muito presentes na filmografia de Villeneuve, se associaram muito bem com a música ambiente proposta por Jóhannsson.

Jóhannsson foge do clássico "compositor que pontua ações" para alguém que veste cenas com camadas sonoras de comunicação. Que sua música nos inspire a ter sempre um olhar compassivo e terno diante das paisagens da vida.

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